JEAN E OS 33 ANOS DA LOJA METAL

Por Marcelo Mendez

Foto: Rodrigo Pinto

“Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não tem como se conscientizar.”

Decerto que quando o George Orwell escreveu isso aí, ele não tava pensando em Santo André.

Somos uma cidade bem distante das preocupações intelectuais mundiais e suas aspirações de salvação do mundo e da humanidade e do gato gordo de Dona Celeste, minha vizinha no Parque Novo Oratório…

Por um tempo tivemos duvidas de que o nosso mundo era o mesmo mundo deles, enfim…

Fato é que o livro se chamava “1984”, que era um livro foda, que comecei a ler por estarmos no ano da graça de 1984 e pelo fato de procurar a minha forma de se rebelar de acordo com o que a realidade do momento me dava naquela Santo André de 1984.

Em cima disso tudo, vem à memória de um lugar que se fez tradicional na Cidade, fundamental para a cultura local, para os moleques de 14 anos em 1984 como eu fui. Era o ano que abria a loja que ia fazer parte da história dessa cidade.

1984 é o ano da Loja Metal, em Santo André

O Folk da Cidade Dura…

Não era um lugar muito hóspito…

Santo André em 1984 era uma cidade provinciana, que como todo Brasil, saía da ressaca do chumbo que nos foi empurrado goela abaixo após 21 anos de Ditadura Militar. Um tempo duro, onde os sonhos juvenis eram muitos e as opções eram bem poucas.

Eis que dado momento chega a noticia nos becos da cidade:

“Abriu uma loja de discos de rock, no Centro Comercial da Praça do Carmo”

Uau!

Uma loja de discos só com rock and roll e no centro de Santo André.

Era uma benção para gente.

Sem ter muita grana e muito mais o que fazer da vida, passávamos o dia todo por la, enchendo o saco do Jean Gantinis, dono da loja, pra ficar ouvindo os lançamentos todos e mais as raridades que na época ele já tinha.

“Era uma garotada carente de tudo, inclusive de informação. Quando abri a loja, o acervo era meu mesmo, coloquei pra vender e depois, com o tempo, comecei a ir montando um acervo mais pesado, com Heavy Metal e o thrash metal da época, para a loja. Com isso a molecada começou a aparecer”

Aparecemos.

Brigamos muito, trocamos muita porrada, não por raiva, mas por falta de informação mesmo… E a Metal seguiu firme. Ao longo desses 33 anos, ela se tornou uma referencia cabal da cultura musical e comportamental da cidade de Santo André. São gerações que se formam musicalmente a partir do que ela nos oferece.

“Tenho consciência da importância que a Metal ocupa na Cidade. Vejo aqui, por exemplo, freqüentava um cara que hoje é pai e o filho dele, hoje, freqüenta a loja. Existe casos já de Netos desse primeiro cliente da metal. Isso é o nosso trabalho aqui” – Conta Jean.

A Hora do Sossego…

Em 2017 a cidade é outra e a Metal também.

Não existe mais tanto beco escuro, o rock and roll por vezes, se comporta como um senhor comportado e contemplativo, eu que tinha 14 anos, agora tenho 47 e a vida parece algo um pouco mais tranquilo

Jean Gantinis, ainda não é avô, mas é um pai orgulhosíssimo dos filhos Jimi Tomobolatto Gantinis, com quem divide o comando da loja e o palco como músico de sua banda Montanha e, Lian Gantinis, que comanda o anexo da loja metal, onde se vende instrumentos, roupas, acessórios e que em breve terá um espaço para Games e estúdio.

No próximo dia 01 de outubro, a partir das 10 horas, no Parque Da Juventude em Santo André, várias bandas subirão ao palco para homenagear os 33 anos de história da Loja Metal e da atuação do Jean nessa onda toda. O próprio Jean, irá se apresentar com sua banda Montanha. Justa homenagem.

Aos que pensam em cerimoniais e outras balelas, termino a matéria dizendo que a história dos que sempre estiveram à margem só pode ser contada assim, através de riffs e distorções.

Nosso jeitão de ser.

Parabéns, Jean!

3 thoughts on “Uma fábula Rock and Roll no concreto da cidade – Marcelo Mendez

  1. Grande Jean meu amigo de infância eu participei mesmo a distancia mais fico muito feliz de ver todos bem.Um grande Abraço Andrezinho

  2. Olá André lembro da nossa infância sem muito recursos mas com muita criatividade eu Vc e Supipa e muitos outros. Um abração amigo.

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