Por Rauda Graco

Foto: La Gioconda – Jairo Costa

I

Leio na “coleção Folha, o mundo da arte” que os pintores expressionistas tinham treta com a Academia.  Eram rebeldes, produziam uma arte tão vanguardista que quase nenhum deles aceitava ser chamado de: expressionista. É sempre assim, inventam-se padrões e classificações para enquadrar (sem trocadilho) o novo.

Em tempo: acho algumas pinturas do Kandinsky um TÉDIO mortal.

II

Sábado estive em uma unidade da livraria Saraiva e fiquei consternado em não encontrar absolutamente nada que me interessasse.

Enormes bancadas de auto ajuda, religião, best-sellers. A de política só tinha material da direita, coisas como o abominável “Guia politicamente incorreto…, Lobão, Lava jato…

Fui procurar no sistema alguns títulos.

A Vendedora disse que aquela loja era uma “outlet”(!?), por isso, tudo que busquei no sistema deles não estava disponível na loja física, só por encomenda.

Saí correndo e fui procurar um sebo.

III

A moda dos ovos em político voltou e eu não consigo me esquecer dos “Confeiteiros sem fronteira” que mundo a fora, no início do século XXI, saíram dando tortada na cara de um monte de “bacanas”.

Lembro-me da ação de um confeiteiro aqui no Brasil.

Em 2003 eu estava eu em Porto Alegre, no fórum Social Mundial, quando tacaram uma torta no ex-deputado José Genoíno.

IV

Voltei a ouvir “Racionais” esses dias e a cada música, a cada letra, a coisa vai ficando mais impressionante. Incrível como ouvir os caras hoje me faz perceber o quanto estamos retrocedendo, voltando para padrões sociais, econômicos e políticos dos anos 1990. Desemprego em massa, violência em massa, burrice em massa.

Em um dos sons, Mano Brown diz: “a gente passa a vida inteira sonhando e só acorda no fim”… Pois é.

V

Comentário que li no site de um jornal de Curitiba sobre o “menino do Acre” e seu livro TAC:

Se todos adquirirem conhecimentos através desse cara, o mundo esta perdido!

VI

Boulos inventou o “Vamos” e diz que não é um proto partido e sim um movimento para construção de ideias e pautas para o Brasil. Tá na cara que Boulos quer ser presidente da república. Tem doido pra tudo!

VII

Lembranças de um eclipse:

No último eclipse total do sol que vi, minha vida estava completamente penumbrada.  Mamãe tinha acabado de morrer e meu pai acabado de sair do hospital após capotar com o carro. Ficamos eu e ele (todo enfaixado, quebrado, cheio de pontos) em silêncio, sentados no banquinho  da área externa do prédio em que morávamos, vendo a escuridão.

VIII

Ela encontrou  o  “Aleph” em um lugar inusitado, escondido no bolso de um casaco antigo. Instantaneamente alcançou a “iluminação”, o “nirvana”, e ficou sabendo de tudo o que existe nos multiversos, do princípio ao fim. Dos nascimentos e de todas as mortes, ela descobriu tudo. Se viu em todos os mundos paralelos, em todas as suas versões, quando era uma pedra, quando foi uma cor, quando existiu como um anúncio de jornal, quando foi uma tempestade e de quando viveu, sem nome, em um micro conto de um autor obscuro.

Continua…

2 thoughts on “O Aleph em um casaco antigo – Rauda Graco

  1. Muito bom passar por aqui, Rauda Graco, e ser recebida com a palavra criativa, lufadas de ventos novos neste panorama brasileiro tão carcomido por golpes e mais golpes. Vida longa ao estranhos atratores.

    1. Muito obrigado pela visita, Dalila. Aproveito e faço aqui um convite para que se junte a nós nesta jornada!

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