Por Larissa Paz

Fotos: reprodução

Existem infinitas possibilidades de nos expressarmos nesse mundão véio, seja através da fala, do gesto, do corpo… Pensando historicamente acredito que uma das ações mais exploradas, tenha sido dentro das expressões artísticas, já fizemos coisa pra caralho dentro desse lugar!

Mas hoje, como o próprio título diz, quero falar de uma vertente bastante específica que é a intervenção urbana, curto muito a possibilidade de utilizar o espaço em que vivemos como suporte para intervenções, as ruas são como uma espécie de museu a céu aberto e estar nesse lugar hoje é extremamente necessário. O lambe-lambe (que é neto do cartaz) é um dos suportes que mais me instigam, tanto pela sua autonomia e baixo custo quanto pela sua potência e impermanência, ao lambermos os muros, postes e calçadas, estamos legitimando o uso social da cidade, os transeuntes tornam-se verdadeiros colecionadores de tudo que está exposto aos seus olhos…

Os primeiros cartazes foram elaborados com impressão tipográfica pela galera do século XV, eles transferiam tinta para o papel por intermédio de um molde pré-definido, essa técnica foi criada por um francês chamado Saint-Flour, mas era bem simples na real, sem imagens. Tempos depois, um alemão muito gente boa, chamado Alois Senefelder cria os princípios básicos da impressão a partir da pedra: a litogravura (a queridinha das impressões manuais), depois disso daí minha gente, demos um grande salto na evolução das impressões, difundindo então não só produções artísticas, mas também impressões comerciais. Quem acaba utilizando muito desse recurso é outro mano muito gente boa:  Toulouse-Lautrec (que inclusive está em exposição no MASP até final desse mês), seus cartazes ficaram  famosos por retratar cenas da vida noturna parisiense e eram frequentemente utilizados para divulgar espetáculos de cabaré. Na primeira e segunda guerra mundial ganha o papel de propaganda política, que foi bastante persuasiva para manipular a população da época. No Brasil um tempo depois, temos o recurso dos cartazes utilizado no período da ditadura militar, é bem bizarro pensar na ambiguidade dessa utilização, enquanto a população saia às ruas para protestar e colar cartazes reivindicando direitos e o fim do militarismo o mesmo mecanismo era utilizado pelos ditadores para queimar o filme dos que lutavam pela nossa liberdade.

Enfim, vamos ao que interessa: LAMBE-LAMBE!

O lambe pode ser feito de diversas formas, você pode simplesmente desenhar/pintar/escrever direto no papel sulfite A4/A3, xerocar e correr pra cola! Pode fazer algo mais elaborado no Word ou Paint imprimir e xerocar,  pode fazer uma colagem com recortes de revista e xerocar, como também pode fazer do jeito que quiser, tô dando umas ideias…  Ah! Uma coisa importante é a grossura do papel, é bacana que seja numa gramatura entre 75/90g para facilitar na colagem e não pesar.

Para colar, também existem diversas formas, vou ensinar algumas receitas simples e que funcionam super bem.

Cola de farinha de trigo/polvilho azedo:

7 colheres de sopa de farinha ou polvilho azedo

1 colher de sopa de vinagre (para conservar)

1 litro de água

Preparo:

Ferva ¾ da água em uma panela, misture separadamente em uma tigela ¼ da água com 7 colheres de farinha ou polvilho, até dissolver totalmente.

Ao ferver a água, acrescente a mistura da farinha ou polvilho e mexa por 5 minutos até engrossar, acrescente o vinagre e mexa por mais 2 minutos e deixe esfriar.

Cola de Cola:

Para cada 2 partes de água, use uma de cola branca escolar líquida, cada litro de cola branca rende 3 litros de cola pra lambe.

Como colar:

Você pode colocar as misturas em garrafa pet de diferentes tamanhos e furar a tampa como se fosse um regador ou balde ou pote de sorvete de 2 litros, reutilize o que você já tem em casa. Na hora da aplicação passe cola em toda a superfície que irá aplicar o cartaz e no verso do papel, depois de aplicar passe cola por cima do cartaz também, para isso utilize um rolinho ou broxa ou esponja ou até uma vassoura, o importante é deixar o cartaz bem grudadinho.

É isso! Uma das primeiras coisas que aprendemos quando nascemos é a arte de lamber (a tal da fase oral) e a partir daí descobrimos o universo dos prazeres orais… Então bóra lamber essa cidade!

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