Por Dalila Teles Veras

Fotos: Jairo Costa/ Estranhos Atratores.

Quando cheguei ao Paço Municipal de Santo André, na tarde desta quinta-feira e me deparei com todo aquele aparato bélico, incontáveis viaturas, policiais com armas engatilhadas, escudos, paramentos de guerrilha, veio-me imediatamente à lembrança o final dos anos 70, início dos 80, quando esse cenário era parte da paisagem.

Democracia retomada em 1985, jamais imaginei que voltaria a presenciar esse tipo de cena, muito menos à entrada da Casa que, em tese, é do Povo, local onde o Povo tem todo o direito de se expressar!

Com muita dificuldade, fui das poucas pessoas a conseguir entrar a partir das 15h, horário marcado para início da Sessão Ordinária. De fato, o Plenário estava cheio, mas já o vi mais cheio em outras ocasiões, mas sem esse número de policiais ostensivamente posicionados ao redor da Câmara Municipal que, a partir daquele momento, literalmente, a isolaram com um cordão.

Câmara Municipal de Santo André ficou lotada.

Foi uma sessão propositadamente composta por pautas polêmicas para inviabilizar a discussão, confusamente conduzida e, em muitos momentos, desrespeitosa com os cidadãos que ali estavam no seu legítimo direito.

O vereador Lobo (recuso-me a me dirigir a ele por uma “patente” militar que antecede seu nome e que ali não é cabível), propositor da outorga do título de cidadão honorário a Jair Bolsonaro fez uma defesa grosseira, rasa de sua proposta, repleta de jargões típicos de palanque eleitoral, acusatória a adversários políticos chamados para sua fala para escamotear sua falta total de argumentos.

Antes, tentara, com evidente desvio de conduta, calar Valter Bittencourt, inscrito previamente, que, na tribuna, falava em nome das 6.800 pessoas, sim, repito, seis mil e oitocentas pessoas, que assinaram um manifesto virtual contra a entrega do título a Bolsonaro, fato largamente divulgado em inúmero veículos de imprensa de grande alcance de leitores.

Mas nada disso, ou seja, a efetiva participação popular, parece representar qualquer valor, quando “outros valores se alevantam”.

Saí dali tomada por um enorme desalento, triste de não ter jeito.

Ali estava um retrato fiel do que é hoje o Brasil, um país que retrocedeu, numa estonteante velocidade, para um tempo pré qualquer coisa.

Dalila Teles Veras

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